Case de personagem costuma começar com a agência apresentando o mascote como se ele tivesse nascido ali. Não foi assim. Quando a Ouro Mineiro, fábrica de pão de queijo de Santa Catarina, chegou na S8, o personagem já existia: um pão de queijo de chapéu de chef, bigode e óculos redondos. Dentro da empresa, era chamado de "Senhor Pão de Queijo" ou, carinhosamente, de "bigodudo". Aparecia em alguns materiais, sem nome, sem expressão e sem lugar certo para estar.
Este post conta o que fizemos com ele ao longo de 2026, na ordem em que aconteceu. Se você quer entender a evolução da marca como um todo, com paleta, tipografia e tom de voz, o caminho é o case A evolução que uma marca merecia. Aqui, o assunto é só o Dom.

O ponto de partida
O personagem chegou sério. Tinha os traços certos, o chapéu, os óculos, o bigode, mas não tinha sorriso, não tinha pose e não tinha regras. Cada aplicação saía um pouco diferente da anterior, porque não havia uma referência única para seguir.
A primeira decisão foi a mais importante: evoluir, não trocar. O público e os clientes de padarias e mercados já reconheciam o bigodudo. Jogar isso fora seria desperdiçar um ativo que a marca levou tempo para construir.


A releitura e o blueprint
Mantivemos o que o público reconhecia e demos a ele o que faltava: expressão, sorriso, pose e acabamento 3D, com os braços mais cheios e a casca dourada do pão de queijo visível. Junto com a releitura, criamos o blueprint do personagem, a ficha técnica dele: vistas frontal, lateral e de costas, proporções, paleta oficial, expressões, detalhes do uniforme e regras de uso.

Parece burocracia, mas é o que mantém o personagem fiel em qualquer mão e em qualquer formato. Algumas das regras que entraram na ficha:
- Manter sempre as características principais do personagem.
- Não alterar as cores da paleta oficial nem distorcer as proporções.
- Usar o mascote apenas em contextos que reforçam os valores da marca.
- O avental é opcional e fica reservado a momentos especiais e campanhas.
As imagens do Dom são geradas com inteligência artificial a partir desse blueprint, com referência fixa e revisão humana em cada peça. É assim que a S8 usa IA na criação: como ferramenta de produção guiada por uma ficha técnica, não como gerador de desenhos aleatórios. Falamos mais sobre isso na página de IA e automação de marketing.
O nome: quem batizou foi o público
Personagem sem nome não vira conversa. Em vez de a agência escolher um nome em reunião, propusemos uma campanha em fases. Primeiro, uma caixinha de perguntas nos Stories para colher sugestões. Depois, uma votação com os finalistas. Para o lançamento, o Jean, dono da Ouro Mineiro, gravou um vídeo na frente do caminhão pedindo ajuda ao público. A melhor sugestão levava um kit de produtos da marca.


Das sugestões que chegaram, dois nomes foram para a final. O resultado saiu no Instagram da marca em agosto de 2026.
O nome pegou. Hoje todo mundo chama ele de Dom, inclusive dentro da fábrica. E a mecânica deu o que um lançamento de personagem precisa: o dono falando com o público, um prêmio de verdade e um nome que as pessoas sentem que ajudaram a escolher. Engajamento que vira marca, não só número no relatório.
Em movimento: o Dom ganhou animação
Personagem parado é figurinha. Personagem animado é porta-voz. A animação do Dom foi feita com a mesma ficha técnica da releitura, para ele continuar o mesmo em movimento. Na cena, ele está na cozinha da fábrica, conferindo a receita e olhando para quem assiste.

Essa é a diferença entre um mascote decorativo e um ativo de marca. Com animação, o Dom apresenta novidade, responde ao público e abre campanha, sem depender de uma pessoa na frente da câmera toda vez.
Do feed para a vida real
O teste final de um personagem é sair da tela. O Dom passou nele em dois lugares.
No caminhão da frota. A plotagem antiga mostrava o produto, mas não tinha personagem. A nova leva o Dom em tamanho grande, a logo com destaque, o slogan "Com queijo de verdade!" e um QR Code. Como a Ouro Mineiro vende para mercados, padarias e hotéis, o caminhão fala com o consumidor final na rua e com o comprador do ponto de venda na hora da entrega.


Na feira Encatho. Em agosto de 2026, a Ouro Mineiro participou da feira de hotelaria em Florianópolis. Quem passava pelo estande era recebido pelo Dom em tamanho real, como anfitrião, com a mesma cara do post e do caminhão.


A próxima parada: a embalagem
As novas embalagens da Ouro Mineiro estão em produção, com o Dom na frente, nas linhas Tradicional, Chipa, Provolone e Chocolate. Em breve, o personagem que o público batizou no Instagram vai estar no freezer do mercado.
Fotos das novas embalagens com o Dom Queijote, a inserir depois do lançamento da campanha
O que a gente pensa sobre personagem
Personagem não é desenho bonito. É um ativo da marca, que trabalha em todo lugar onde ela aparece. Para isso, ele precisa de três coisas que o Dom tem hoje:
- Uma ficha técnica que o mantém fiel, no post, no vídeo e no caminhão.
- Uma história que o público ajudou a escrever.
- Lugares de verdade para aparecer, do feed à feira.
Se a sua marca já tem um personagem, ele provavelmente não precisa ser trocado. Precisa de releitura, de ficha técnica e de trabalho. Se ainda não tem, o caminho é o mesmo, começando do zero. É o que fazemos na frente de identidade visual, com animação e vídeo pela frente de audiovisual.
Ele já existia. Agora ele trabalha.
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