Início ✦ Blog ✦ Artigo

Artigo · Vendas e marketing

Alinhar vendas e marketing em empresas de ERP na prática

Marketing diz que entregou oitenta leads no mês. Vendas diz que nenhum servia. Os dois têm razão, e o problema começa antes dos dois.

Alinhar vendas e marketing em empresas de ERP na prática

A reunião de fechamento do mês em uma empresa de ERP costuma ter uma cena repetida. O marketing apresenta o número de leads e o custo por lead, que caiu. O comercial diz que passou a semana ligando para contador de escritório pequeno e para estudante baixando material. O diretor olha para os dois e pergunta onde está o problema. Alinhar vendas e marketing em empresas de ERP começa justamente por essa pergunta, porque a resposta quase nunca é "o marketing errou" nem "vendas não liga". É que ninguém combinou, por escrito, o que é um lead bom.

A gente trabalha com empresas de software para indústria e vê esse desencontro toda semana. Dá para resolver sem reorganizar a empresa.

Por que o desencontro é maior em quem vende ERP

Em quase todo B2B marketing e vendas discutem. Em ERP a briga é mais frequente por quatro motivos.

O ciclo é longo. Entre o primeiro contato e a assinatura passam meses, às vezes mais de um ano. O marketing é cobrado por volume mensal; o comercial, por fechamento semestral. Os dois medem coisas diferentes e em tempos diferentes.

O ticket depende do porte. Um lead de indústria com trezentos funcionários e um de oficina com cinco entram pelo mesmo formulário e contam igual na planilha do marketing. Para o vendedor, um vale a semana e o outro não vale a ligação.

A implantação pesa na decisão. O comprador não está escolhendo um software, está escolhendo com quem vai passar os próximos oito meses de implantação. Material que fala só de funcionalidade não ajuda o vendedor nessa conversa.

E boa parte das empresas de ERP vende por canal, com revendas e parceiros. O lead que o marketing gera é entregue a um parceiro, que às vezes não dá retorno. O marketing nunca sabe o que aconteceu.

O que é um lead bom para quem vende ERP

Essa definição precisa ser feita pelas duas áreas, juntas, em uma reunião só, e precisa ficar escrita. Cinco critérios resolvem a maioria dos casos:

  • Porte: faixa de faturamento ou de funcionários a partir da qual o produto faz sentido.
  • Segmento: quais indústrias o sistema atende bem e quais só dão dor de cabeça na implantação.
  • Sistema atual: usa planilha, usa concorrente, usa versão antiga do próprio produto. Cada caso é um discurso diferente.
  • Momento: tem projeto de troca para este ano ou está só pesquisando.
  • Contato: quem preencheu decide, influencia ou só pesquisa para o chefe.

Com isso, o formulário do site ganha duas ou três perguntas a mais (porte e sistema atual bastam) e o marketing passa a qualificar antes de entregar. Lead fora do critério não é descartado: entra em uma régua de conteúdo e volta quando mudar de momento. Para isso, uma estrutura de IA e automação de marketing faz a triagem e o acompanhamento sem ocupar gente.

Como montar o acordo entre as duas áreas

Uma definição escrita

Um documento de uma página: o que é lead qualificado, o que vendas faz quando recebe um (prazo para o primeiro contato), o que vendas devolve ao marketing (motivo quando recusa). Se tiver mais de uma página, ninguém lê.

Uma reunião semanal de trinta minutos

Marketing e vendas olham juntos os leads da semana. Quais foram aceitos, quais recusados e por quê, quais viraram reunião. Trinta minutos, com a lista aberta na tela. É nessa reunião que o marketing descobre que "indústria de alimentos" estava trazendo padaria e que o comercial descobre que o lead que ignorou era o gerente de TI de uma fábrica grande.

Um caminho de volta

O comercial precisa registrar, no CRM, o motivo de cada lead recusado ou perdido. Sem isso, o marketing não tem como ajustar a campanha. Três ou quatro motivos padronizados (porte, sem projeto, concorrente, sem retorno) já bastam. Texto livre ninguém preenche.

Conteúdo que o vendedor realmente usa

Boa parte do material de marketing em empresas de ERP nasce sem ouvir o comercial e morre sem ser usado. O teste é simples: o vendedor manda esse material para o cliente no WhatsApp depois da reunião? Se não manda, não serve.

O que costuma ser mandado:

  • Caso de cliente do mesmo segmento, contado com a dificuldade real da implantação, não só com o resultado.
  • Comparativo honesto de migração: o que muda ao sair de planilha, de concorrente ou da versão antiga, e quanto tempo leva.
  • Respostas às perguntas da demonstração. Se o vendedor explica a mesma coisa sobre controle de lote ou custo de produção em toda demo, isso vira vídeo curto ou página.
  • Material sobre o processo de implantação, com etapas e papel de cada lado. Reduz medo, e medo é o que mais trava decisão de ERP.

Nada disso o marketing produz sozinho. Sai da reunião semanal e das gravações de demonstração.

Como saber se o alinhamento está funcionando

Quatro indicadores, simples de acompanhar:

Taxa de aceite dos leads. Quantos leads entregues o comercial aceita trabalhar. Se está abaixo de metade, o critério não está sendo aplicado por um dos dois lados.

Tempo até o primeiro contato. Lead de ERP que espera três dias já falou com o concorrente. Meta razoável: mesmo dia útil.

Reuniões marcadas por mês, não leads. É o primeiro número que as duas áreas deveriam olhar juntas.

Motivos de perda preenchidos. Se o campo está vazio, o caminho de volta quebrou e o resto vai desandar em um ou dois meses.

Prazo honesto para sentir diferença: um trimestre. O ciclo de ERP não permite avaliar em menos.

Quando o problema não é alinhamento

Às vezes marketing e vendas estão alinhados e o número não vem. Aí o problema está em outro lugar: preço fora do mercado para o porte escolhido, implantação com fama ruim entre clientes atuais, equipe comercial pequena demais para o volume, ou produto sem diferença clara frente ao concorrente. Nenhum acordo entre áreas resolve isso.

Nesses casos, um olhar externo ajuda a separar o que é problema de processo do que é problema de posicionamento. É o que fazemos na consultoria de marketing industrial, e com frequência o diagnóstico leva a um plano de marketing 360 para indústria que conecta marketing, comercial e produto em vez de tratar cada um separado.

Perguntas frequentes

Como alinhar vendas e marketing em empresas de ERP?

Comece definindo por escrito, com as duas áreas juntas, o que é um lead qualificado: porte, segmento, sistema atual, momento e perfil do contato. Depois institua uma reunião semanal curta para revisar os leads da semana e exija que o comercial registre o motivo de cada recusa. Esses três passos resolvem a maior parte do desencontro em um trimestre.

Qual a diferença entre MQL e SQL em uma empresa de ERP?

O lead qualificado pelo marketing (MQL) cumpre os critérios combinados de porte, segmento e momento, mas ainda não foi contatado. O lead qualificado por vendas (SQL) já conversou com o comercial e confirmou projeto, orçamento e decisor. Em ERP, o que separa os dois costuma ser a existência de um projeto de troca com prazo definido.

Que indicador mostra se marketing e vendas estão alinhados?

A taxa de aceite dos leads pelo comercial e o número de reuniões marcadas por mês. Se o comercial aceita a maioria dos leads e as reuniões crescem, o acordo funciona. Se o custo por lead cai mas as reuniões não sobem, o marketing está otimizando o número errado.

Se a cena da reunião de fechamento ficou familiar, fale com a S8 no WhatsApp. A gente começa pelo documento de uma página.

Quer um resultado assim?

Vamos conversar sobre a sua marca

Sem compromisso: numa conversa inicial entendemos o momento da sua empresa e desenhamos o caminho.

Chamar no WhatsApp