
Uma fabricante de conexões hidráulicas tem mais de quatrocentos itens no catálogo. Digita no Google "site:" seguido do próprio domínio e encontra doze páginas. Doze. O resto do catálogo existe, está no site, mas o Google nunca chegou lá ou chegou e desistiu. A empresa gasta com anúncio para compensar o que o site deveria entregar de graça. Esse é o caso mais comum que a gente encontra quando começa a trabalhar SEO técnico para sites industriais, e ele raramente se resolve escrevendo mais texto. Se resolve consertando a estrutura.
O que é SEO técnico e o que ele não é
SEO técnico é tudo o que permite ao Google encontrar, ler, entender e exibir as páginas do seu site. Velocidade, indexação, estrutura de endereços, funcionamento no celular, segurança, dados estruturados. Não tem a ver com escrever bem nem com escolher palavras-chave. Tem a ver com o site funcionar como o Google espera que funcione.
A distinção importa porque muita indústria contrata "conteúdo para SEO" quando metade do site nem está sendo lida.
Por que sites industriais sofrem mais com isso
Alguns padrões se repetem:
- Catálogo em PDF. A ficha técnica está lá, mas em um arquivo que o Google indexa mal e que não vira página de produto.
- Páginas geradas por integração com o ERP ou com sistema de catálogo antigo, com endereços cheios de parâmetros e versões duplicadas do mesmo item.
- Site feito há oito anos, em plataforma que ninguém atualiza mais, lento e sem versão para celular decente.
- Imagens de produto em alta resolução, direto da câmera, pesando vários megabytes cada.
Nada disso aparece para quem olha o site no computador da empresa. Aparece para o Google e para o comprador que acessa do celular procurando a ficha de um produto.
Por onde começar: um diagnóstico em uma tarde
Antes de contratar qualquer coisa, dá para levantar o básico com ferramentas gratuitas, em uma tarde.
Abra o Google Search Console (se o site não está cadastrado, comece por aí). Em "Páginas", veja quantas estão indexadas e quantas foram excluídas, e por quê. "Rastreada, mas não indexada" em dezenas de produtos é sinal de página fraca ou duplicada.
Pesquise "site:seudominio.com.br" no Google e compare o número com a quantidade de produtos do catálogo. A diferença é o tamanho do problema.
Rode o PageSpeed Insights na página inicial, em uma categoria e em um produto. Olhe a nota do celular, não a do computador.
Pegue o celular, saia do wi-fi da empresa e tente chegar até um produto específico e pedir orçamento. Se levou mais de um minuto ou você desistiu no caminho, o comprador também desiste.
O que corrigir primeiro, em ordem
A ordem importa porque alguns problemas escondem outros. Não adianta otimizar imagem em página que o Google não indexa.
Indexação e rastreamento
Confira se o robots.txt não está bloqueando pastas do catálogo (sobra de ambiente de testes, acontece mais do que parece). Gere um sitemap XML com todas as páginas de produto e envie pelo Search Console. Corrija erros 404 de produtos descontinuados com redirecionamento 301 para o item substituto ou para a categoria. Elimine versões duplicadas: se o mesmo produto abre em três endereços, escolha um e aponte os outros para ele com a tag canonical.
Estrutura de endereços
Um endereço bom se lê: /produtos/conexoes-hidraulicas/adaptador-macho-npt. Um endereço ruim: /produto.php?id=4821&cat=17. Trocar a estrutura exige redirecionar todos os endereços antigos, com planilha de origem e destino, de uma vez só.
Velocidade e imagens
Converta fotos de produto para WebP e sirva no tamanho em que aparecem: uma foto de 4 MB vira 150 KB sem perda visível. Ative cache no servidor e, se o site atende o Brasil todo, considere uma CDN. Remova plugins e scripts que ninguém usa. Em sites antigos, só isso costuma cortar o carregamento pela metade.
Celular
Teste cada tipo de página no celular: menu, filtro de catálogo, tabela de especificações, formulário. Tabela técnica que estoura a tela e campo de formulário pequeno demais são os erros mais comuns.
HTTPS
Se ainda existe página abrindo em HTTP, redirecione tudo para HTTPS. O certificado é gratuito na maioria dos servidores, e o navegador já avisa o visitante quando ele falta.
Dados estruturados
Marque páginas de produto com Schema de Product e a página institucional com Organization. Isso ajuda o Google a entender cada página e pode exibir informações extras no resultado. Vale fazer, mas só depois de tudo o que vem antes.
Como saber se está funcionando
Três sinais, nesta ordem.
Primeiro, o número de páginas indexadas no Search Console sobe e se aproxima do número real de produtos. Isso leva de duas a oito semanas depois das correções.
Segundo, as impressões crescem para pesquisas com nome técnico de produto, código e aplicação. Esse é o tráfego que vale: engenheiro atrás de especificação, comprador atrás de fornecedor.
Terceiro, chegam pedidos de orçamento de regiões onde a empresa não tem representante. Quando o comercial comenta "apareceu um cliente do Pará que achou a gente no Google", o trabalho técnico cumpriu o papel.
Se em três meses nada disso aconteceu, volte ao diagnóstico: em geral sobrou um bloqueio de indexação.
Quando o SEO técnico não resolve sozinho
Vale admitir os limites. Se o site é de 2015, roda em plataforma abandonada e não tem página por produto, consertar por cima sai mais caro do que refazer. Nesse caso o caminho é a criação de um site para indústria já estruturado para catálogo, com indexação pensada desde o projeto. Foi o que fizemos no site da Momil Alimentos, onde a estrutura nova de páginas valeu mais do que qualquer ajuste no site antigo.
Também há casos em que a técnica está em ordem e o problema é outro: ninguém pesquisa pelo nome que a empresa dá ao produto, ou o mercado inteiro usa outro termo. Aí o trabalho passa a ser de pesquisa de palavras e conteúdo, dentro de uma frente de tráfego pago e SEO industrial que olha os dois lados.
E, para indústria que vende para cinco clientes grandes e cresce por relacionamento, SEO técnico serve para o site não passar vergonha quando o comprador confere. Não espere fila de orçamentos.
Perguntas frequentes
O que é SEO técnico para sites industriais?
É o conjunto de ajustes que permite ao Google encontrar e indexar todas as páginas do site de uma indústria, em especial o catálogo de produtos. Envolve indexação, velocidade, estrutura de endereços, funcionamento no celular, HTTPS e dados estruturados. Não trata de texto nem de palavras-chave, e sim de o site funcionar como o Google espera.
Quanto tempo leva para o SEO técnico dar resultado?
As correções de indexação aparecem no Search Console em duas a oito semanas. O crescimento de impressões e cliques para pesquisas técnicas vem em dois a quatro meses. Pedidos de orçamento vindos do Google costumam ser percebidos pelo comercial a partir do terceiro mês, dependendo do tamanho do catálogo e da concorrência.
Vale mais corrigir o site atual ou fazer um novo?
Depende da base. Site com menos de cinco anos, em plataforma atualizada e com página por produto, vale corrigir. Site antigo, lento, sem versão para celular e com catálogo só em PDF sai mais barato refazer, porque a correção por cima nunca termina e o resultado fica limitado pela estrutura.
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